Psicologia - Aula 3

Page history last edited by Janete Dreyer 9 mos ago

Muitas vezes os processos de ensino e de aprendizagem são usados como sinônimos. Será que é assim mesmo? Depende da teoria que estiver embasando a nossa prática pedagógica.

A abordagem teórica que trabalharemos neste semestre entende a aprendizagem e o ensino como processos distintos. Nesta atividade propomos voltar nossa atenção para o processo de aprendizagem.

Para isso, pense em alguma aprendizagem que você tenha construído. Essa atividade não precisa estar ligada diretamente à aprendizagem escolar. Pode ser qualquer situação na qual você aprendeu algo novo.

 

Algumas questões podem orientar a realização dessa descrição:

O que você aprendeu de novo?

Qual o contexto em que essa aprendizagem foi construída (na escola, em casa, no trabalho, etc)?

Essa aprendizagem foi construída individualmente ou com outras pessoas?

Houve a utilização de algum material para a construção dessa aprendizagem?

Que tipo de ações foram necessárias para realizar essa aprendizagem?

Que tipo de reflexões foram necessárias para realizar essa aprendizagem?

Para realizar essa aprendizagem foram necessários conhecimentos prévios? Quais?

Poste suas reflexões no seu webfólio da Interdisciplina no Rooda sob o título “Aprendizagem”.

A atividade deve ter no mínimo duas páginas, fonte 12, espaço 1,5.

 

Prazo: 13/04.

 

 

O que eu aprendi de novo?

 

 

 

 

Como foi solicitado nesta terceira atividade desta interdisciplina, vou relatar aqui uma aprendizagem que construí, juntamente, ou melhor dizendo, com o auxílio de minha turma de segunda série, no ano de 1997, em uma escola particular do bairro centro do Município de Sapiranga.

 

Eu já lecionava desde 1976. Havia dado aulas para várias primeiras séries, para outra segunda e também para uma terceira série. Sempre fui uma professora “pesquisadora”, e, modéstia a parte, achava minhas aulas interessantes. Eu via que conseguia despertar o interesse dos meus alunos em minhas aulas. Procurava subsídios para responder aos seus questionamentos e satisfazer às suas curiosidades e aos seus interesses. Mas como qualquer ser humano, eu tinha, e ainda tenho, algumas dificuldades, uma das dificuldades que tinha era em me localizar no espaço. Não compreendia muito bem os mapas complicados, mas mesmo assim, nunca tinha tido problemas com os alunos na hora de construir mapas, pois os mapas nestas séries eram simples e tínhamos de onde copiá-los . Confesso que “ensinava” sobre mapas aquilo que estava nos livros, exatamente como estava nos livros. Eu pensava que compreendia...

 

Vim morar em Sapiranga em 1982 e fiquei sem lecionar até 1995. Não tinha grandes conhecimentos do mapa do Município e da cidade, mas achava interessante vê-los nas agendas dos professores.

Com a turminha de segunda série de 1997 citada anteriormente, que era constituída de pouquíssimos alunos, chegou o dia de trabalhar estes conteúdos: os bairros. Peguei um mapa já pronto da cidade de Sapiranga, daqueles grandes que sempre tem nas bibliotecas das escolas, e o deitei sobre a mesa. Naquele dia tínhamos juntado as mesas e feito um “grupão” no meio a sala para podermos colocar o mapa ali no centro da mesa e estarmos ao redor dele, podendo observá-lo e analisá-lo sem dificuldades. Os alunos queriam localizar os bairros em que cada um morava, achar as ruas onde moravam e brincar de fazer o caminho de casa até a escola, ali no papel. Estavam bastante empolgados! Imagino hoje como esta turminha teria amado o Google Earth e o Google Maps!

 

Meu aluno Arthur, sugeriu que eu posicionasse o mapa na mesa colocando o bairro Oeste do mapa virado para o lado onde ficava o Bairro Oeste da cidade. A turma toda concordou com ele, estavam animados em estudar sobre a cidade das Rosas. Eu sabia onde ficava o bairro Oeste porque minha irmã morava lá na época e então fiz o que me sugeriram. Quando virei o mapa e olhei para ele, nossa! Ainda me lembro como se fosse hoje! Pareceu que a minha mente se abriu naquele momento! Creio que não conseguirei passar aqui para o papel a importância da minha aprendizagem e a intensidade da emoção que senti naquela hora: Pela primeira vez em minha vida eu estava “lendo” um mapa! “Lendo” de verdade! Eu estava conseguindo entender tudo o que estava na minha frente! Eu realmente via naquele mapa de papel a “nossa cidade”. Era como se aquele mapa em cima daquela mesa naquele momento, se agigantasse, transformando-se na própria cidade! Eu podia ver ali as ruas por onde andava, localizar as posições de todos os bairros! Claro que antes disso eu também localizava as ruas, mas não com o discernimento que adquiri naquele momento, não com o entendimento que construí naquela aula, junto com os meus alunos, e ainda auxiliada por eles. Acho que me empolguei muito mais do que os próprios alunos realizando esta atividade!

 

 

 

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